ORIENTAÇÕES PARA AS ORGANIZAÇÕES DO SETOR AGROALIMENTAR DURANTE A PANDEMIA COVID-19

O mundo atravessa atualmente uma circunstância com impactos sem precedentes, a pandemia de COVID-19. Todos os setores de atividade estão numa fase de adaptação e numa implementação constante de medidas para dar resposta a este grande desafio.

 

As evidências científicas sobre a relação entre a doença por SARS-CoV-2, a COVID-19, e a alimentação ainda são escassas. Contudo, as medidas adotadas para a prevenção da propagação da COVID-19, nomeadamente o isolamento preventivo, tem contribuído em alterações nos comportamentos de compra e de consumo de alimentos, que podem ter repercussões permanentes.A DGS publicou um manual de apoio para orientar o consumo e compra de alimentos durante a pandemia COVID-19, Novo Coronavírus Covid-19 – Alimentaçãode 19 de março de 2020, que estabelece orientações na área da alimentação, em particular sobre o planeamento e a compra de alimentos em situações de isolamento.

Por outro lado, durante a pandemia atual, é crucial assegurar toda a cadeia de abastecimento de alimentos, desde a produção primária, à distribuição e retalho, garantindo a qualidade e segurança alimentar que o consumidor está habituado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou também um guia sobre a COVID-19 e a segurança alimentar, Covid-19 and food safety: Guidance for food business, de 17 de abril de 2020 dirigido às empresas do setor agroalimentar.

Este guia indica como imperativo que a indústria alimentar reforce as suas medidas adicionais de higiene e que proporcione a consciencialização aos colaboradores, a fim de reduzir o risco da disseminação da COVID-19, caso algum trabalhador esteja infetado.

De acordo com os resultados publicados no guia da OMS, o vírus pode permanecer ativo até 72 horas em materiais como o plástico e o aço inoxidável, 4 horas no cobre e até 24 horas no cartão.

O envolvimento da equipa de segurança alimentar na adoção de medidas adicionais e o reforço na formação, sobre a importância do cumprimento das boas práticas de higiene são fundamentais para a redução e eliminação de riscos de contaminação. Para garantir um elevado grau de higiene das instalações, devem ser tomadas as seguintes medidas:

  • higienização adequada das mãos – lavagem com água e sabão durante pelo menos 20 segundos (ver conselhos da OMS);
  • uso frequente de desinfetantes para as mãos, à base de álcool;
  • cuidados na higiene respiratória (cobrir a boca e o nariz quando se tosse ou espirrar; descartar tecidos e lavar as mãos);
  • limpeza / desinfeção frequente das superfícies de trabalho e pontos de contato;
  • evitar o contato próximo com qualquer pessoa que mostre sintomas de doenças respiratórias, como tosse e espirros.

De forma a diminuir a propagação da COVID-19 e aumento da proteção dos trabalhadores, o guia estabelece a necessidade de proporcionar aos trabalhadores equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas, bem como a sua utilização adequada. Recomenda ainda, que sejam tomadas medidas de distanciamento físico, nomeadamente o espaçamento dos postos de trabalho e a limitação do número de colaboradores por áreas de trabalho. Devem igualmente ser estabelecidas orientações escritas, para que os colaboradores do setor alimentar sejam capazes de reconhecer os sintomas comuns da COVID-19, e ser efetuada a comunicação dos sintomas e as medidas a adotar pela organização – plano de contingência.

O Guia refere também a importância da consciencialização dos colaboradores com função de motorista, para os riscos de propagação da COVID-19, nomeadamente o cumprimento das regras de distanciamento junto dos seus interlocutores em clientes e das boas práticas de higiene adicionais durante a pandemia. Os materiais de acondicionamento dos produtos devem ser mantidos limpos e frequentemente desinfetados e separados dos restantes materiais, que podem causar a contaminação.

Por último, o guia define também as regras que devem ser adotadas no comércio a retalho e em cantinas. A proteção adequada dos colaboradores, a higienização frequente das superfícies e utensílios de contato, o aumento da frequência da higienização das mãos, a manutenção do distanciamento físico, a limitação do número de entrada de pessoas, a disponibilização de desinfetantes para os consumidores e limitação do número de pessoas, constituem-se como regras para manter um elevado padrão de higiene nas instalações.

Rita Carvalho e Isabel Ribeiro
Equipa SIAWISE